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Homem contratado para fazer filmagens da Aldeia Patiburi em Belmonte é capturado pelos índios.



A Polícia Militar teve que intervir em mais um capítulo da disputa de terras que envolvem índios Tupinambás da Aldeia Patiburi e fazendeiros da região. A confusão aconteceu nessa sexta-feira (04/06) quando um homem que fazia filmagens da área com um drone foi capturado pelos moradores da aldeia. Aos policiais militares, um dos proprietários do drone informou que tinha sido contratado por um fazendeiro donos de terras na região dos distritos de Boca do Córrego e Santa Maria Eterna.

Diante do clima de tensão e para salvaguardar a integridade física do proprietário do aparelho, a Polícia Militar resolveu tirá-lo do local e conduzi-lo à Delegacia Territorial de Belmonte juntamente com a Srª Maria do Carmo (Cacique Cátia). Na delegacia, a cacique informou que está sendo ameaçada de morte e que foram feitas imagens da aldeia e da sua residência. “Eram dois, um conseguiu fugir. O que foi para a delegacia disse que tinha sido contratado por um fazendeiro que vem ameaçando a nossa comunidade e a mim. Ele disse que não sabia o motivo da filmagem.” – Comentou a Cacique.

O drone usado no trabalho foi levado por outro integrante da equipe de filmagem que conseguiu fugir dos indígenas. A Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS) manifestou preocupação com a Aldeia Patiburi por causa das disputas de terras na região. Por causa de ameaças a Cacique Cátia já havia sido inserida no Programa de Proteção de Defensores de Direitos Humanos (PPDDH) e, sempre que se desloca da aldeia, conta com escolta da Polícia Militar para garantir a sua segurança.

O Secretário de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia, Carlos Martins, afirmou que a situação desperta atenção para a situação de vulnerabilidade da aldeia e dos indígenas. “A localidade é palco de incansáveis ataques, partindo de fazendeiros da região, que a qualquer preço querem tomar o território. Em virtude do conflito, a comunidade já sofreu um bloqueio econômico que resultou na perda da sua produção de cacau, acarretando numa crise de subsistência séria. Agora, o drone levanta suspeita de uma nova investida contra a produção econômica da comunidade, já que estamos na época da produção e colheita do cacau”, destacou.

A Polícia Civil informou que o proprietário do drone tem habilitação junto a Anac e informou que foi contratado para fazer imagens apenas das terras da família em questão. Segundo a Polícia Civil, o caso foi registrado para fins de informação, por não existir, naquele momento, crime praticado por qualquer uma das partes, e o homem que operava o drone acabou sendo liberado.

Por maisbn

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