Operação contra o tráfico: Polícia Civil indicia 16 pessoas e pede 11 prisões preventivas em Belmonte



Investigações revelaram esquema com ordens vindas de presídio, atuação interestadual, reincidência de recém-libertos e recrutamento de adolescentes.

A Polícia Civil da Bahia, por meio da Delegacia Territorial de Belmonte, concluiu nesta terça-feira (03) um inquérito policial detalhado sobre a distribuição de entorpecentes na cidade. Ao término dos trabalhos, 16 pessoas foram formalmente indiciadas. Diante da gravidade dos fatos apurados, a autoridade policial representou à Justiça pela prisão preventiva de 11 envolvidos e pela imposição de medidas cautelares diversas da prisão a outros três investigados.

As apurações tiveram início em outubro, a partir de um flagrante realizado pela Polícia Militar em um imóvel do município. Naquela ocasião, foram apreendidas porções de maconha e cocaína, insumos para embalagem de drogas e celulares.

A partir da autorização judicial para extração e análise dos dados dos aparelhos apreendidos, somada a depoimentos e oitivas, os investigadores mapearam a estrutura da organização criminosa, identificando a logística de distribuição das cargas ilícitas e o fluxo financeiro de arrecadação do dinheiro das vendas. Durante as diligências ao longo do inquérito, outro indivíduo foi flagrado com uma arma de fogo, drogas, dinheiro em espécie e celular.
Reincidência e comando de dentro da cadeia

Um dos pontos de destaque no relatório da polícia é a rapidez com que egressos do sistema prisional retomaram as atividades criminosas. Um homem apontado como gerente da distribuição de cocaína no município havia deixado o Conjunto Penal de Eunápolis há cerca de um mês e, pouco depois de ganhar a liberdade, já coordenava novas remessas de entorpecentes para a cidade. Outro indiciado havia sido detido duas vezes neste ano pelo mesmo delito e, posto em liberdade em ambas as ocasiões, voltou a comercializar drogas. Um terceiro indivíduo reincidente também retornou ao tráfico assim que foi solto.

O inquérito revelou ainda que a rede recebia ordens diretas de dentro da cadeia: um detento custodiado no presídio de Eunápolis é apontado como responsável por comandar vendas em Belmonte, chegando a recrutar um adolescente por meio de redes sociais e designar responsáveis pelo recolhimento dos valores. A polícia identificou também um fornecedor que atua fora do estado da Bahia, responsável pelo envio das substâncias ilícitas para a região.
Indiciamentos e sigilo

Os investigados responderão, de acordo com o grau de participação individual, pelos crimes de:Tráfico de drogas;
Associação para o tráfico;
Associação criminosa.

O inquérito apurou ainda a cooptação e a participação de menores de idade no esquema ilícito, fator que funciona como causa de aumento de pena. Os relatórios referentes aos jovens envolvidos foram remetidos à Promotoria da Infância e Juventude do Ministério Público.

Os pedidos de prisão preventiva e medidas cautelares aguardam decisão do Poder Judiciário. O processo corre em segredo de justiça, motivo pelo qual os nomes dos indiciados não foram divulgados para preservar o andamento dos trâmites legais. A Delegacia de Belmonte ressalta a importância da colaboração popular, lembrando que denúncias sobre crimes podem ser repassadas de forma anônima diretamente à unidade.

Por Belmontenews
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